Genebra, ainda volto muito para lá.


Estava de passagem, viajando entre a França e a Itália numa visita que eu fiz à Europa uns anos atrás.

Genebra se situa na ponta extrema de um “rabinho” da Suíça que fica praticamente dentro da França. Localização perfeita para quem está de passagem e não quer perder o dia inteiro viajando de trem de um país para o outro. Planejei dormir uma noite em Genebra só para poder esnobar os meus amigos dizendo que eu conheci a Suíça.

Brincadeira, não perderia meu precioso tempo na Europa com uma bobagem dessas. Na verdade eu sempre quis conhecê-la, sempre tive uma quase certeza de que iria gostar muito de lá. Acho que devido àquela ilusão de que é um país de outro mundo, superior, altivo, perfeito, rico… Muito rico. Pelo menos essa é a idéia que a mídia de massa sempre passa pra gente, não é?

Não perdi a oportunidade de ir até lá conferir. E confirmei. Genebra é de fato tudo isso mesmo. Uma das duas maiores qualidades de vida do mundo, ar de superior, sempre neutra, acima do bem e do mal, confiante da própria riqueza. Eu gosto disso, a Suíça tem atitude. E MUITA classe.

Aquele monte de bancos nadando em dinheiro, a maioria das vezes de origem duvidosa, com sua ética bastante flexível, que aceita fundos anônimos de mafioso, traficante, corrupto, ditador, ladrão, terrorista, genocida, não interessa… Não precisa comprovar sua origem, naquele país não existe preconceito, não existe parte, não existe lado, só existem finanças. Eles não se curvam para os Estados Unidos e nem pra Europa. Diplomacia é seu nome. Consideram-se a imparcialidade sobre a face da Terra.

E foi bem assim que eu viajei rumo a Genebra. De cabeça aberta. Curiosa e também imparcial.

Já antes da entrada no território suíço eu comecei a me deliciar. O visual da tal da região dos Alpes é mesmo de babar. O trem ia em um movimento leve, com aqueles janelões de vidro que fornecem uma amplitude total para os nossos olhos. A grande montanha verde é figura constante na paisagem. Às vezes passava um lago ensolarado e brilhante, pincelado por gansos, corvos e florezinhas coloridas; às vezes passava uma fazenda de gado leiteiro com aquelas lindas vacas malhadas, iguais aos comerciais de leite; e às vezes passava um vilarejozinho com a prima beleza que só se vê nos quadros antigos como os que tinham na casa dos nossos avós. Tirei bastante fotos.

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Então desci do trem em Genebra. A estação fica bem de frente às feiras de relógios e eletrônicos. Mont Blanc, Swatch, Rolex, Omega, expostos nas galerias de rua como se fossem simples mercadorias quaisquer. Voltei lá depois e comprei um monte. Comprei caixinha de música, canivete, alarme de cabeceira, caneta, chaveiro, carteira e relógio para todo mundo. Tudo suíço legítimo!

Bem perto da estação de trem, no centro da cidade, também fica a orla do Lago Léman, a principal atração turística de Genebra. É lindo! Totalmente chocante, perfeita surpresa para quem está acabando de sair do trem e ainda está naquele estado de “onde é mesmo que eu vim parar?”.

O verão na Europa é bem quente e animado, Genebra não podia ser diferente. Super ensolarada, a cidade estava lotada, todo mundo na praia ao redor do lago. Uma delícia!

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Foi o tempo deu deixar minha mochila no hotel e ir direto para a água. Ok, a água não era assim quente como o Mediterrâneo, mas deu pra entrar tranquilo, principalmente porque o sol estava derretendo do lado de fora. Estávamos eu e minha mãe nessa viagem. Olha a foto que eu tirei dela se divertindo!

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Mas a parte mais legal do Lago Léman, é o Jet d’eau (jato d’água). Para lá de cem metros, um dos mais altos do mundo. O espetáculo da cidade e por isso seu principal cartão postal. De dia, um verdadeiro monumento à altivez genebrina, sua superlatividade como sociedade, como centro cultural, educacional, tecnológico e principalmente diplomático. De noite, uma iluminação poética, romântica, de tirar o fôlego.

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O visual do lago não se resume às suas águas prateadas e nem à cidade muito bem estruturada em sua volta não. De brinde, a vista do lago Léman também oferece toda a geografia montanhosa dos Alpes Suíços em seu horizonte. Seus mais famosos montes, inclusive o luxuoso Mont Blanc, ficam logo ali atrás.

Além do lago, a cidade também tem o seu centro gastronômico para turistas. No estilo medieval italiano, uma vila de bodegas, pequenas praças com restaurantes típicos a sua volta, prédios milenares de pedra e principalmente muita história pra contar. Infelizmente eu não planejei tempo suficiente em Genebra para desfrutar todas as coisas boas que aquela cidade tem para oferecer. Por isso sei que vou voltar ainda muito para lá.

Enquanto estivesse na Suíça, eu tinha o objetivo de comer a maior quantidade de fondue possível. Sou tão fascinada por essa comida que estava disposta a disputar o recorde mundial de sua degustação. Considero o fondue um evento, muito mais que uma refeição. Um momento de socialização intensa, fortificado pelo fato de que cada um prepara sua própria comida no exato momento em que come, acompanhado por seus semelhantes, ao redor de uma mesa como num ritual sagrado. Come-se muito mais devagar do que qualquer outro prato e exige-se a paciência de quem aprecia um bom sabor, de quem tem bom gosto, de quem considera a gastronomia uma grande fonte de prazer.

Para a minha total desilusão, devido ao verão escaldante, eram pouquíssimos os restaurantes que ofereciam essa comida típica nessa época do ano. Comi no primeiro que encontrei. Só tinha fondue de queijo e quando eu pedi para o garçom também um fondue feito com o famoso chocolate suíço, ele estranhou tanto, que me olhou como quem achava que eu era uma extra-terrestre fazendo piada da cara dele. Quanta frustração… Mas tudo bem, deixa estar. Ainda voltarei muito para lá.

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No segundo dia da viagem, fomos fazer o turismo da parte internacional de Genebra, onde fica uma das sedes da ONU, e também da UNESCO, OMS, UNICEF, FAO, etc… Uma verdadeira aula de globalização. A sede da ONU oferece visitas guiadas todos os dias durante o verão e valeu muito a pena a visita. O complexo do Palácio das Nações é riquíssimo.

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Além de todo o blá blá blá de como a ONU funciona, seus comitês de votação, suas reuniões anuais, suas histórias de reestruturação do mundo, suas obras de arte, seus momentos áureos de preservação da paz, etc, a visita guiada também mostra os estonteantes auditórios desse suntuoso palácio, onde já se sentaram verdadeiras lendas humanas, citando Nelson Mandela, Noam Chomsky, Corazón Aquino, Mikhail Gorbachev, Bono Vox, dentre milhares de outras assumidades.

Ali dentro tudo é arte. A maior delas, a que os guias mais enchem o peito para mostrar a nós turistas, é a escultura do teto do Salão dos Direitos Humanos. Realmente de faltar o ar. Um monte de placas de alumínio penduradas em forma de estalactites coloridas, criadas e pintadas pessoalmente pelo espanhol Miquel Barceló. Dá para passar horas ali só olhando para o teto.

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Na volta do passeio, caminhamos pelos jardins do campus da Universidade de Genebra e demos uma paradinha rápida em seu museu botânico. Já visitei melhores, mas como eu adoro esse tipo de museu, considero uma visita dessa sempre muito prazerosa.

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E dali voltamos ao hotel. Infelizmente já estava na hora de pegarmos o nosso trem de partida. Isso foi tudo o que deu para visitar em Genebra nessa minha rápida passagem. Basicamente, só o tempo suficiente para fazer milhares de planos para as minhas voltas a essa cidade que me deu um gostinho e uma vontade imensa de conhecer todo o resto da magnífica Suíça. Com absoluta certeza ainda volto muito para lá.

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