Abismo cultural entre o Americano e o Brasileiro


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ATENÇÃO: Todas essas conversas foram verídicas.

[Americano]    E aí, cara? Fiquei sabendo que você tá doente…
[Brasileiro]     Não, não. É que eu fui viajar, aí falei pro meu chefe que eu estava doente.
[Americano]    Você foi viajar doente?
[Brasileiro]     Nãão, cara… Eu menti. 
[Americano]    Você viajou sem avisar seu chefe??
[Brasileiro]     Meu chefe não deixaria eu viajar se eu falasse a verdade.  
[Americano]   Mas porquê você viajou se você não podia ir?
[Brasileiro]      Porque não é o babaca do meu chefe que ia me impedir de viajar.  
[Americano]   Seu chefe é um babaca?
[Brasileiro]     Total.
[Americano]   Como é que ele é seu chefe então??
[Brasileiro]     Ai, cacete… Você não entende mesmo. 

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“Viver no exterior é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom.” – Tom Jobim


 .
[Brasileira]     Olha que lindo esse colar que eu achei no chão!
[Americana]    Nossa, lindo mesmo! Como você vai devolver?
[Brasileira]     Eu? Como eu vou saber de quem é? 
[Americana]    Ué… Não foi pra isso que você pegou o colar do chão?
[Brasileira]     Oi?

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[Brasileiro no trabalho]
– Hoje vou levar esse durex pra casa, e mais essas canetas… E também tô precisando de um grampeador novo! Ainda bem que deu tempo de eu imprimir todo esse livro pirata que eu achei na Internet enquanto eu tava aqui.

[Americano no trabalho]
– 
Não vejo a hora do trabalho acabar pra eu poder ir na loja comprar um grampeador novo, e depois chegar em casa, entrar na Internet, comprar esse livro que eu estou louco pra ler e imprimi-lo todinho na minha impressora…


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[Brasileiro]
– Porra, cara! Quer dizer que sua mulher viajou a trabalho e te deixou cuidando das crianças sozinho em casa?!? Que m*** isso, hein? Se fosse a minha, eu não aceitava isso não.
[Americano]
– É sério, cara?!? Você tá dizendo isso porque acha ela não faria o mesmo por você? A minha faz isso direto por mim…


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[Marido Brasileiro]  Muié, vai lá pegar uma cerva pra mim, vai?
[Marido Brasileiro]  Você não vai fazer comida pro seu filho não?

[Marido Americano]  Hey, sexy! Abri esse vinho pra você…
[Marido Americano]  Olha essa massa que eu preparei pra gente hoje!


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[Brasileiro na rua]
– Ô gostosa! Ô lá em casa!
– Ô gostosa! Ô lá em casa!
– Ô gostosa! Ô lá em casa! Ô gostosa! Ô lá em casa! Ô gostosa! Ô lá em casa! Ô gostosa! Ô lá em casa!  (Obs: Repita até te dar ânsia de vômito)

[Americano na rua]
– Excuse-me Ma’am. Oh desculpa! Não foi minha intenção esbarrar em você. I’m so sorry! (Obs: E não foi mesmo…)


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[Brasileiro no caixa do supermercado]
  –  Beleza! Esse mané nem percebeu que me deu 10 reais a mais no troco. Me dei bem!
[Americano já na saída do estacionamento do supermercado] 
  – Oh, no! O caixa me deu 5 dólares a mais no troco… SHIT! Vou ter que voltar até lá.


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[Caixa de supermercado Brasileiro]
    – Posso te dar essas balinhas de troco??

[Caixa de supermercado Americano]
    – Seu troco foi 10 dólares e 55 centavos, tá aqui sua nota de 10.
[Brasileiro]
    – Mas e os ciquent…

[Caixa Americano]
    – PRÓXIMO!
    (As moedas já caíram direto na caixinha de doação pras crianças com câncer.)


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[Americana] 
  – Nossa, adorei seu sofá novo, esse abajour, sua mesinha de centro, seus criados mudos, esses quadros na sua parede, o seu tapete da sala, … Onde você comprou?
[Brasileira]
–  No lixo aqui do bairro.


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[Churrasco de Brasileiro]
Picanha, picanha, picanha, picanha, cupim, linguiça, vinagrete, farofa, farofa, farofa, farofa, arroz branco, caipirinha, caipivodka, pagode, samba, axé, funk, …
Às vezes sai feijoada, queijo coalho, pão de alho, batida, pudim, bossa nova, sertaneja, …

[Barbecue de Americano] 
Hambúrger assado na chapa, cachorro quente sem molho, cerveja quente e nada de música.
– Vocês comem areia? E coração de galinha?!?!?!? Aaaarggg!!!


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[Geografia para o Americano] 

Capital do Brasil: Buenos Aires.
Idioma do Brasil: Espanhol? Brasileiro?
Tamanho do Brasil: Tipo o México?
Clima no Brasil: Lá tem neve?
Fauna (/população) brasileira: Jacaré, macaco, arara e mulher bunduda.
[Geografia para o Brasileiro]
Qualquer pessoa da Ásia: Japonês.
Capital dos EUA: Nova York.
Capital da Flórida: Miami.
Clima nos EUA: Você já viu a neve?
Fauna americana: Tem?? Ah, já sei! Fica na Disney, né?


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[Brasileiro quando mulher fala algo que ele não sabia]
   – Nossa! Sério? Prova aí no Google que é verdade mesmo…
[Americano quando mulher fala algo que ele não sabia]
– Nossa! Sério? Como você é inteligente.


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[Brasileiro quando quer terminar o namoro ]
   – Oi linda! Poxa, minha mãe tá doente hoje e essa semana tenho que terminar um serviço gigante lá no trabalho… Mas pode deixar que eu te ligo, tá gatinha?
[Americano quando quer terminar o namoro]
– Nosso namoro está terminado.


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[Americano]
   – Caramba! Você fala 5 línguas?!? Que legal! Eu só preciso do meu inglês mesmo.


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[Americano]
   – Sou 65,7% Irlandês, 33% Italiano, 1,54% Polonês e 19% Alemão. E você?
[Brasileiro]
– 100% Brasileiro.


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[Brasileiro]
   – Mulher que passa mais tempo do que eu no Tinder? É vadia.
[Americano]
– Mulher que passa mais tempo do que eu no Tinder? É vadia.


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[Outro dia meu namorado e eu, ambos brasileiros, decidimos nos casar nos Estados Unidos]
 – Amor, então vamos ligar pro Oficial de Justiça e marcar de fazer o nosso casamento naquela praia deserta linda que a gente adora, né?
[Oficial de Justiça americano no telefone]
– Por favor me encontre nessa Starbucks que fica do lado da sua casa para acertarmos tudo.
[Oficial de Justiça americano na Starbucks]
– É de livre e espontânea vontade que vocês aceitam um ao outro para o matrimônio?
.[Eu e meu namorado]
 – Sim… É…
[Oficial de Justiça americano na Starbucks]
– Então eu os declaro marido e mulher.
.[Eu e meu namorado]
 – O quê? Você já tá casando a gente?? Não! Agente não quer se casar numa Starbucks… A gente quer se casar numa praia deserta!
[Oficial de Justiça americano na Starbucks]
– Gente, dá pra vocês se decidirem? Se não falar sim, não vai dar pra eu gerar a certidão de casamento aqui no meu IPad… Depois vocês vão pra onde quiserem.
.[Resultado: Casamos numa Starbucks.]

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Comentário sobre o filme “A Grande Aposta (The Big Short)”

Achei muito fidedigno o filme A Grande Aposta, baseado no livro de Michael Lewis, que expõe com toda a clareza e sensibilidade a grande crise imobiliária sofrida pelos Estados Unidos no ano de 2008. Eu estava lá, no meio do furacão quando tudo ruía e vivi cada minuto do filme dentro da minha própria vida real. Posso dizer que conhecia cada um daqueles grupos de pessoas representados no filme, amigos corretores de imóveis, amigos que trabalhavam para a Wall Street, amigos bancários, amigos imigrantes e norte-americanos… Todo mundo tinha vários imóveis financiados integralmente pelo banco, a juros irrisórios pelo ponto de vista de nós brasileiros, e tudo isso parecia muito bom pra ser verdade. O filme foi muito fiel ao que realmente aconteceu.

Naquela época discutia-se o tempo todo a situação financeira cabalística do país na televisão, nos bares, nas reuniões de família, nas escolas, na cama antes de dormir. Quando eu conversava com amigos americanos e eles ficavam se lamentando, reclamando sua indignação e incredulidade diante dos completos absurdos que estavam vivenciando na economia, extremamente acostumados a confiar nas pessoas e nas instituições, eu falava com toda a tranquilidade que no Brasil esse sentimento é a regra, corriqueiro, a gente já parte do princípio que tudo é uma fraude, ninguém confia absolutamente em ninguém nem em nada e é assim que a gente vive todos os dias de nossas vidas, desde quando nascemos. Eles estatelavam os olhos e demoravam a acreditar que isso era possível. A ganância desenfreada e depois institucionalizada, destruindo toda a cega confiança que o americano tinha na qualidade de seu sistema financeiro… Isso era triste e decepcionante demais. Como se vive uma vida inteira dentro de uma crise? Eles tinham a certeza de que não queriam isso pra sempre de jeito nenhum. Eles amam ser ricos e ficava muito difícil pra mim explicar que pobreza não necessariamente está atrelada a infelicidade. E vice-versa.

Fica simplesmente impossível comparar a crise econômica americana com o Brasil, as diferenças são abismais. Não tem como uma história aqui acabar em crise porque tudo já parte dela. O brasileiro não tem nem a confiança no sistema para poder perder. O que para o americano foi uma bomba atômico-financeira, um armagedom social, para nós infelizmente é pura rotina. É toda hora escândalo político dos mais cabulosos nos jornais, a impunidade é generalizada, a palhaçada no congresso só reforçando o circo do sistema jurídico. Só ficamos surpresos quando algo de positivo acontece. Como se pode viver num lugar desses? É assim que eles pensam. E a resposta é triste demais.

O melhor do filme pra mim é no final quando todos os investidores visionários que apostaram numa grande crise americana e ficaram milionários por isso, chegaram à mesma conclusão óbvia: não existe felicidade alguma na riqueza construída em cima da desgraça de seus semelhantes.

Aí fica a reflexão. O States sempre foi rico, mas muito disso foi em cima da desgraça de países pobres explorados pelos juros das dívidas externas, das taxas injustas de mercado internacional, de um comércio exterior discrepante e opressor. Os americanos não sentem absolutamente nenhum remorso por isso. Muito pelo contrário. Na sua desejada e conveniente ignorância, se vangloriam e se orgulham de sua supremacia financeira e bélica. Acreditam DE VERDADE que seu poderio absoluto vem de uma luta digna, honrada e justa pela liberdade e democracia globais e têm uma mídia hollywoodiana extremamente competente para fazer que todo o país continue acreditando fortemente em suas lindas intenções e que continuem lutando bravamente pela paz mundial.

Mas na realidade, o que acontece mesmo é que não conhecem e não querem conhecer as mazelas que grande parte de seu acúmulo de capital causa nas outras partes do mundo. Não precisam considerar como semelhantes aqueles seres humanos que estão distantes da compreensão e dos olhos.

Tenho certeza que num futuro a médio prazo vai ficar claro que a riqueza deles também nunca trará felicidade plena enquanto no mundo ainda existir miséria. Fora todo o resto como guerra, totalitarismo, extremismo, epidemias, etc.


 

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3 respostas para Abismo cultural entre o Americano e o Brasileiro

  1. Viviane disse:

    Não concordo com a questão do troco. Eles fazem questão de te devolver até 1 centavo….

    Curtido por 1 pessoa

  2. allineo disse:

    Gente, o proposito do post e’ a auto-critica. Observem que todas as conversas foram veridicas e eu protagonizei TODAS ELAS! Sim, eu pego as coisas dos outros que eu encontro na rua sim! E estou numa cultura que nao esta acostumada a fazer isso. Entao me vale uma reflexao… Isto eh certo?? Isto eh errado?? Nao sei. Eu ja levei durex do trabalho pra casa mil vezes. Isso eu nao faco mais de jeito nenhum. Aprendi aqui. Refleti, entendi e cresci. Mas baixar livros e filmes piratas da internet e imprimir documentos pessoais no trabalho eu ainda faco. Estou numa cultura em que as pessoas cresceram sem ver isso como uma coisa rotineira. As pessoas aqui nem pensam nessa possibilidade porque nao estao acostumadas a isso. Quando eu era crianca eu adorava receber troco a mais. A-DO-RA-VA!! Aqui nao e assim. Fora o machismo ne’? Me economizem. Entao gente, esse papo de generalizacao uma PINOIA!!! Viva a auto-critica!!!

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