Tóquio, o outro lado do mundo.


O Japão fica mesmo do outro lado do mundo. Em vários sentidos, não só fisicamente.

Vou descrever passo a passo a minha experiência para vocês acompanharem tudo com detalhes. Para começar, quando eu comprei a passagem de volta, o vôo saía de Tóquio numa sexta-feira às 2 da tarde e chegava em Los Angeles nessa mesma sexta-feira às 10 da manhã. Já senti uma coisa meio paranormal no ar…

Mas tudo bem, pequei o avião da Air China e, eu sei que essa parte não tem a ver com o Japão, mas no vôo com escala em Pequim tava passando o filme Trumbo, que conta a história real de um roteirista de Hollywood que ganhou 2 Oscars na década de 50 usando um nome falso porque foi caçado por ser declaradamente comunista, membro do Partido Comunista americano. Filmaço! Não podia deixar de comentar esse detalhe perfeito numa viagem para Pequim.

Nesse vôo também foi a primeira vez que eu vi uma GoPro na asa do avião. Daqui a pouco todos vão ter isso, mas achei muito legal a visão do piloto na aterrizagem. Vai que ele precise de alguma ajuda né?

E um último detalhe interessantíssimo. No aeroporto de Pequim, passei uma hora tentando conectar na Internet, mas a página Google.com só dava não encontrada, o Facebook só dava sem conexão, o meu Gmail ficava só no carregando e vídeo no Youtube nem pensar. Pensei, que m**** de internet que não funciona aqui nesse aeroporto… Aí lembrei de uma coisa muito interessante, digitei Yahoo.com no celular e funcionou, abri meu WhatsApp e todas as mensagens funcionavam, digitei Hotmail.com e funcionando! Foi a primeira vez que experimentei um mundo onde o Google e o Facebook são bloqueados. Fiquei completamente perdida, não sabia nem o que fazer no meu telefone. Lembrei da época das manifestações contra a Copa do Mundo de 2014, que a Dilma ameaçou bloquear o Facebook no Brasil e que quase viramos uma China… Ai que alívio.

Aí pousei em Tóquio e no aeroporto já começaram as diferenças. Curte abaixo o Washlet (última moda em privadas no Japão). Botão para tudo quanto é lado, cabine com barulhinho de cachoeira e papel higiênico eletrônico. Esses japas tiram muita onda mesmo…

Outra coisa que chamou a atenção na imigração é que eles ficam medindo a temperatura do seu corpo e mostrando numa tela, se você estiver com febre dá meia volta e fica por ali mesmo na salinha de quarentena, nem entra no Japão. Eu já cheguei espirrando na cara de todo mundo com a minha incurável alergia a 1000%. E todos os funcionários usando aquelas máscaras de doente para se proteger da turistada que vem chegando. Eles têm mesmo muito pânico de epidemias, principalmente em tempos de Zika.

E então partiu pegar o metrô para o hotel. Vale recordar que Tóquio possui uma das maiores malhas ferroviárias do mundo. O mapa é aquela macarronada completa, toda em japonês. Ainda bem que os atendentes no Japão são super ultra mega educadééééérrimos, que falam tudo com aquela entonaçãozinha bonitinha né? tipo engraçadinha né? toda rapidinha né? Sempre com um né no final da frase (lê-se hi em japonês), repetindo as mesmas coisas várias vezes até você entender e abaixando a cabeça em sinal de respeito, e paciência.

Já na estação eu vi duas gueixas e um casal de velhinhos usando quimonos coloridos,
chinelo com meia e andando com passinhos de formiguinha. Igualzinho nos filmes! E no trem pela cidade, passando por aqueles bairros mais pobres, eu achei tudo tão lindo; tudo tão arrumadinho, limpinho, organizadinho, pintadinho, bonitinho. Adorei.

Desci no bairro de Shinjuku. Muuuuuuuuuuuuuita gente na rua. Superpopulação total, visivelmente abarrotado. Dirigir nesse país, nem sonhe.  Procure andar sempre pelo lado esquerdo da calçada e das escadas rolantes, seguindo o fluxo de pessoas (eles usam a mão inglesa por lá). E quando a coisa lota de vez e o bicho começa a pegar, eles vão te empurrar sim e furar a sua frente nas filas. Nada que você já não esteja acostumado no Brasil, infelizmente.

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Os japoneses não são nada parecidos uns com os outros como dizem os racistas por aí. Tirando os olhos puxados e a ausência de loiros, eles são muito diferentes sim. Uns mais despenteados, outros não; uns mais calados, outros nem tanto; super coloridos e todo mundo extremamente, absurdamente, absolutamente fashion. Japonese style total, muito impressionante mesmo. Não se espante com a quantidade de Mangás que você vai ver pela rua.

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Em Kabukicho, centro de Shinjuku, toda rua é simplesmente uma Times Square. Muito letreiro piscante, luzes por toda a parte, aquela poluição visual enorme. Ainda bem que eu não entendia nada de nada do que estava escrito.

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Mas o Japão tem seus contrastes. Abaixo fotos do santuário Hanazono, que fica do ladinho de Golden Gai, o mais noturno, animado e underground gueto de Tóquio, em Shinjuku. Opostos extremos convivendo lado a lado.

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Famoso letreiro abaixo onde lê-se Shinjuku Golden Gai em kanji (新宿ゴールデン街), os caracteres da língua japonesa.

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Cheguei no hotel às 4 da tarde e capotei morta de cansaço. No Brasil já era 4 da manhã e a minha noite prometia ser longa porque todas as reuniões de trabalho seriam de madrugada pra mim no Japão. Preço a se pagar.

Dia seguinte, desafio número um era a comida. Até que não foi difícil para uma primeira refeição. Mas será que eu vou aguentar 7 dias comendo sashimi de atum? Sabia que mais cedo ou mais tarde eu ia ter que encarar todas aquelas frutas e bichos japoneses esquisitos.

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Esse prato de comida com o refrigerante de cassis ficou por volta de 20 dólares. Tava muito bom. Nada era descartável no restaurante, parabéns para eles. Eles também não aceitam gorjetas, tentei duas vezes dar um extra pro garçom, mas se recusaram a receber. O Japão fica mesmo do outro lado do mundo.

De tarde fui visitar o parque Yoyogi onde fica o santuário do Imperador Meiji Jingu, governante que tirou o Japão do xogunato e do feudalismo no começo do século passado. Achei tudo muito triste, sem cor, meio chata a visita. Vamos ver se as próximas melhoram.

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Esses eram os barris de saquê do Imperador:

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E de noite entrei num desses becos japoneses e comi um Wantanmen bem quente (Ramen de Wonton), aquela sopinha de miojo que só os japoneses sabem fazer. Tinha bastante legumes, bambu, cebolinha verde, algum parente do espinafre e wonton recheado de frango. Tava uma delícia. Paguei 800 yens, um pouco menos que 8 dólares.

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Eles que fazem os próprios noodles por lá.

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O dia seguinte foi todo de chuva. Fui ver a Torre de Tóquio e achei lindíssima! Mas não subi porque não aguento mais esses passeios de ficar subindo em torres. Toda cidade tem, só em Tóquio são duas.

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Do lado da Torre de Tóquio fica um templo budista muito bonito chamado Zojoji. Também achei lindíssimo. Aquela coisa de visitar igreja, sabe como é.

Confesso que achava que iria sofrer um choque cultural bem maior entre o oriente e o ocidente, sempre muito influenciada pelos filmes do Karate Kid, onde tinham aquelas casas japonesas lindas de Okinawa, com paredes de papel, chão de tatami, jardins de bonsais em vilarejos milenares. Mas até agora, em plena “Capital do Leste” (東京, lê-se: Tōkyō), não tenho encontrado nada disso, muito pelo contrário, tirando o idioma, estou me sentindo bastante em casa. Até o momento posso dizer que Tóquio tem se parecido como algo no meio entre São Paulo e New York.

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No caminho passei por uns parques muito bonitos e aproveitei para tirar essas fotos de profissa! Dei o título de “A viajante solitária”, porque quem ia parar para tirar uma foto minha embaixo de uma chuva dessas? Viajar sozinha tem essas desvantagens.

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No almoço comi um porco agridoce, com um potinho de gengibre e cebola branca nua e crua para os que têm coragem. Esse negócio preto no outro potinho eu não sei o que é não, tinha gosto de terra.

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Repare na toalhinha branca quente e esterilizada que eles sempre dão para limpar as mãos antes das refeições. Mais uma tradição japonesa anti epidemia de doenças, além das famosas máscaras no rosto e dos sapatos fora de casa.

No outro dia fui visitar o Palácio Imperial (Kokyo) no bairro de Chiyoda, centro de Tóquio, onde mora o atual Imperador do Japão. Mesmo sabendo que Sua Majestade o Imperador Akihito faz aniversário no mesmo dia que euzinha aqui, 23 de dezembro, fiquei bastante frustrada porque ninguém pode entrar no gigantesco parque e não dá para ver nada do lado de fora. A não ser a Ponte Seimon Ishibashi por onde ele passa de carro.

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Será que era ele aí passando na horinha que eu estava lá??

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Mais fotos do lado de fora do parque:

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O Palácio Imperial fica ao lado dos edifícios oficiais do Japão, como a Dieta Nacional (modo como é chamado o parlamento japonês)  e a Suprema Corte Federal, transferidos de Quioto para Tóquio quando a capital foi transferida. Engraçado que eu quase não via bandeiras do Japão pela cidade, comparativamente com os Estados Unidos que tem bandeira americana para todo lado.

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A noite eu comi um sukiyaki de bacon por 1.500 yens (< 15 dólares). Não tinha nada a ver com o que eu pedi, mas parece que foi o que a atendente conseguiu entender. Tudo bem, estava muito gostoso, mas não deixe de treinar bastante mímica antes de vir ao Japão, o nosso inglês misturado ao inglês deles vira uma língua de grego total.

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O restaurante era todo elaborado, lindo, cheio de tradição na decoração. Ficava no quarto andar de um prédio e tinha cascata, rio de pedras, casinhas, a imitação de uma vila japonesa inteira toda indoor. Curiosamente, era tudo o que eu gostaria de ver na minha viagem ao Japão, porém lá fora, ao vivo, de verdade, no mundo real.

Interessante também é que eu já fui em restaurantes similares a esse, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e entendi o quão bem eles sabem reproduzir a cultura japonesa fora do Japão. Gostei de constatar o quanto ela está bem difundida e bem aceita pelo mundo. Eles realmente merecem muito.

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No quarto dia finalmente visitei a melhor parte de Tóquio para turistas, o bairro de Asakusa. Todo animado, aglomerado, cheio de bares, lojas e restaurantes; mas o mais legal mesmo é a feira de souvenires e comidas típicas da rua Nakamise. Uma passarela fervilhando de gente e de compras, que te leva do portão Kaminarimon até o templo de Sensoji, o mais antigo e popular de Tóquio. Meditação e consumismo de mãos dadas nos costumes japoneses, ou simplesmente mais uma atração para turista ver. Eu aprovei.

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Em volta do templo e da feira tem um jardim japonês muito bonito cheio de estátuas de buda e de outros deuses japoneses.

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E como mais uma demostração dos contrastes de Tóquio, de frente do templo Sensoji e de todo o bairro de Asakusa, é possível avistar com clareza a novíssima Tóquio Skytree, a gigante torre no meio da skyline da cidade.

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No caminho para a Skytree, nas margens do rio Sumidagawa, tem um jardim japonês bastante charmoso que vale a pena a parada. Chama-se Parque Sumida.

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No passeio de Asakusa, também visitei o bairro vizinho Ueno, famoso pelo seu zoológico onde estão plantadas uma rua de um quilômetro de cerejeiras (sakura). No início de abril o Japão celebra o seu Festival da Primavera (Hanami), quando as cerejeiras todas florescem de uma vez só, quase que da noite para o dia, colorindo o país inteiro de um rosa choque muito intenso. Apesar da floração perdurar por somente uma semana no ano e essas árvores não darem cerejas, o festival é uma grande celebração no país.

Infelizmente no inverno as cerejeiras hibernam e o parque Ueno não estava em todo o seu esplendor. Com exceção de uma única cerejeira mutante que resolveu madrugar nesse ano tão quente, para o meu deleite.

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O parque Ueno possui vários templos também para serem apreciados. Inclusive um todo dourado que eu achei o mais bonito de Tóquio até então.

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Agora vou falar da melhor parte do Japão que eu achei até agora. Eles são aficionados por essa coisa de massagem, relaxamento, meditação, SPA, moda, decoração, beleza, etc. Eu não pude deixar de experimentar a última moda no Japão que é o tal dos hotéis cápsula SPA. Amei! Me mudei para a minha cápsula no segundo dia e não troquei mais de hotel até o final. É realmente muito relaxante e introspectiva a experiência. Por incrível que pareça as cápsulas não são tão claustrofóbicas nem tão pequenas assim.

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Olha a sala de banho do meu SPA. Me sentia naquelas termas romanas maravilhosas. A mulherada toda peladona relaxando, fazendo sauna, hidro, massagens, etc. Uma delícia. Cremes de tecnologia japonesa e tudo.  Mas para variar eu tenho alergia e tive que continuar usando os meus produtos No-Poo mesmo, maravilhosos e naturais da DevaCurl.

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Bom… Para finalizar a viagem, no penúltimo dia fui visitar o tão esperado Monte Fuji. Fica a 130 quilômetros de Tóquio e eu já estava bastante ansiosa pelo passeio. Paguei 17 mil yens (menos de 170 dólares) num tour completo de um dia pela Gray Line, incluindo  o almoço e o tíquete do trem bala.

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O tour já começava indo direto de ônibus até a estação de número 4 da mais alta montanha do arquipélago do Japão (3776 metros), um vulcão em plena atividade, tombado desde 2013 como patrimônio mundial pela Unesco e que um dos significados de seu nome na atualidade é abundância (富士, Fu + Ji).

O Monte Fuji é tão sagrado que uma das maiores obras de arte do Japão é a xilografia (pintura em madeira) chamada “A Grande Onda de Kanagawa”, inspirada nos lagos ao redor da montanha. Obra de Hukosai, o maior especialista em ukiyo-e do Japão, aquele estilo artístico característico japonês.

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Da estação 4 já dava para ver o cume lindamente, mas daí para cima todo o resto estava congelado.

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Depois descemos o monte e fomos apreciá-lo lá de baixo num tour pela belíssima região de Hakone.

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Em Hakone andamos de bondinho e fizemos um passeio de 40 minutos de barco pelo gelado Lago Ashi.

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E na volta, o momento auge da minha visita, uma corrida no trem bala japonês, operado pela onipresente Japan Railways (JR) e que chega regularmente aos 300 km/h com toda a estabilidade e segurança. A viagem foi rápida, obviamente, embarcando na estação de Odawara, perto de Hakone, indo até a estação de Tóquio, no centro da capital, porém mais do que suficiente para sentir na pele a praticidade de percorrer grandes distâncias com rapidez e eficiência sem precisar encarar aeroportos massantes ou viagens de carro intermináveis, perigosas e poluentes.

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A velocidade do trem é tão alta que o vídeo abaixo não retrata nem de perto a real rapidez do movimento. São tantos frames por segundo que nem os olhos nem a câmera fotográfica são capazes de acompanhar com precisão.

E aqui me despeço do Japão (日本, lê-se: Nippon). Para falar a verdade, saio de Tóquio com uma impressão completamente diferente do que era antes de eu chegar aqui. Imaginava o oriente como um mundo novo, distante, místico. Mas percebi claramente que apesar de estar localizado no lado oposto do meu mundo, o japonês não tem nada de tão diferente assim de mim e nem de muitas outras pessoas que eu conheço por aí, Tóquio é uma cidade tão bonita e tão especial como várias outras no planeta e o povo japonês é tão gentil e tão hospitaleiro como tantos outros povos que eu também já conhecia.

No final das contas o que eu constatei mesmo foi que, apesar das distâncias físicas, acabamos por nos tornar todos extremamente semelhantes uns aos outros, diante da ferocidade e impassibilidade de um mundo totalmente globalizado, completamente tomado pela racionalização do capitalismo.

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E no vôo de volta, aquele que eu saía de tarde e chegava na manhã do mesmo dia, parece que me enviaram uma imagem para que de certa forma eu nunca mais esquecesse da Terra do Sol Nascente, como dizem os chineses. Ela estará sempre lá, atrás daquelas nuvens.

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Arigatou gozaimasu (ありがとうございます).

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2 respostas para Tóquio, o outro lado do mundo.

  1. Flávio Augusto disse:

    Massa demais esse seu post. Fiquei só imaginando eu naquele banheiro cheio de botões.

    Curtido por 1 pessoa

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