Manaus. Uma floresta de experiências.


Eu sempre adorei passear na floresta. Já tinha ido em Manaus quando criança, mas em 2017 tive uma oportunidade de palestrar num congresso de tecnologia por lá e então não pensei duas vezes!

Cheguei, fiz o meu trabalho e depois já logo comecei com o passeio mais turistão de todos: nadar com o boto cor-de-rosa. Por ser o mais procurado, é só ir no centro da cidade que tá cheio de gente oferecendo pacotes. Fiz um bem completo que saía do Porto de Manaus e incluía o Encontro das Águas, uma apresentação de dança de uma comunidade indígena (porque ali não dá mais pra chamar de tribo), além da vitória amazônica (a antiga vitória-régia) e um riquíssimo almoço com a comida tradicional amazonense.

Nadar com o boto nas condições de turismo em série, onde os animais são incessantemente perturbados por uma enxurrada de humanos, não é uma coisa que me agrada não. Só fui porque estava incluso no pacote mesmo e aproveitei pra ficar tomando banho de rio durante esse período. Mas o resto do passeio foi maravilhoso.

Só de estar de barco pelo imenso Rio Negro, atravessar sua ponte estaiada bilionária (uma das construções mais corruptas do mundo!), banhar em suas águas quentíssimas e admirar sua cor escura tão peculiar, já valeu o belo passeio.

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Por ter sua nascente do lado norte, lá na Colômbia, a temperatura do Rio Negro gira em torno de 28°C. É muito gostoso, gente! Sua cor escura e avermelhada vem da decomposição das plantas em seu solo, liberando muito tanino na água e tornando-a bastante ácida.

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O famoso espetáculo natural chamado Encontro das Águas acontece justamente em Manaus, onde os rios Negro e Solimões se encontram e se unem para formar o magnânimo Rio Amazonas. É realmente um grande fenômeno da natureza.

Esses dois rios têm composições bastante diferentes e por isso demoram 6 quilômetros para se misturar. Tudo porque o Rio Solimões é mais frio (22°C), mais denso (bastante barrento), mais claro e bem mais veloz que o Negro, chegando a 6 km/h. Não faltam fotos para retratar essa maravilha.

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A quantidade de peixes desse rio é enorme, dominando toda a culinária e a cultura da região. Os mais gostosos são o matrinxã, o tambaqui, o tucunaré, o pirarucu, o pacu, etc. Mas tem também muitas piranhas, que já atacaram muita gente por lá.

Para ver os botos, o barco sobe bastante o Rio Negro para fora da movimentação da cidade. Com a oferta de peixe fresco, os boteiros atraem alguma espécime deste cetáceo para o flutuante onde os turistas ficam esperando ávidos por uma interação e uma carícia. Mesmo não gritando e nem usando cremes protetores tóxicos, ainda sim a experiência circense para mim é meio bizarra. Preferi ficar ao longe.

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O passeio também inclui uma passada no Rio Solimões para visitar as Vitórias Amazônicas, a planta aquática sagrada mais típica da maior floresta equatorial do planeta. Essa lindeza você pode comer, apreciar, pintar em quadros, fotografar e até subir em cima (se pesar menos de 40 quilos). O nome foi uma homenagem de algum puxa-saco inglês à sua Rainha Vitória, mas ainda sim é belo e faz jus à sua natureza.

Da mesma família que a Flor de Lótus asiática, a flor da vitória amazônica é tão gigante e esplendorosa quanto suas folhas.

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E continuando pelo mesmo passeio, que demora um dia todo, também paramos em uma região ribeirinha para tirar foto de uma Samaúma que está parada ali no mesmo lugar por séculos e por isso merece muito que turistas a conheçam e a reverenciem.

A Samaúma, ou “Árvore da Vida”, é uma algodoeira majestosa e altíssima que possui o tronco oco que também serve como habitação para os nativos. Sua casca pode ser usada como ingrediente para algumas versões da bebida psicotrópica inca chamada Ayahuasca (literalmente traduzida como “cipó dos mortos”, ou “cipó dos espíritos”, também conhecida como daime).

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Nessa mesma parada, já é programado com os ribeirinhos para virem oferecer aos turistas tirar fotos e pegar no colo os bichos mais exóticos e populares da floresta (com exceção da onça, graças a Deus). Por mais que os habitantes locais jurem que todas aquelas crianças que trabalham ali estão na escola e eles não maltratam nenhuma das criaturas nativas expostas como atração turística, essa experiência eu preferi também pular. Principalmente porque achei a cobra bastante dopada e não gostei de ver os jacarés com a boca amarrada.

Mas todos os meus amigos, que amam muito os animais, gostaram bastante da experiência e aproveitaram cada minuto daquela interação profunda com a selva mais selvagem e tão rara para nós, os urbanos.

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Os macaquinhos dali não têm mais nenhum medo de nós, espécimes da classe Homo Turísticus, e são bastante espevitados avançando assustadoramente como ninjas em nossos din-dins de cupuaçu, nas bananas de nossas sacolas e até abrindo nossos bolsos procurando por… seria dinheiro?? Prefiro acreditar que não…

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Mas nada como uma boa conversa para se negociar a educação e a paciência com eles.

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Uma outra parada importante é a do almoço. Affffffe, que DE-LÍ-CI-A que é a culinária amazônica! Restaurantes flutuantes nas margens do rio servem DE-TU-DO! Vou colocar a lista dessas maravilhas aqui, porque parece que não tem fim. E também porque os nomes de tudo aquilo literalmente te embananam muito, como uma sopa de letrinhas completamente repetitivas, numa macarronada de sílabas tupis totalmente confundíveis umas com as outras.

Para começar o tal do Tucupi. O mais típico e interessante ingrediente da região. É o caldo amarelo que sai da mandioca brava quando ralada e espremida (a.k.a. macaxeira, mani poi, aipim, manioca, etc, etc, etc). Esse caldo é extremamente venenoso, pois essa  tuberculosa pode conter o mortífero cianeto (CN), e deve ser fermentado por até 7 dias para se ter a certeza que o ácido cianídrico (HCN), que é altamente volátil, tenha se evaporado totalmente (chamado de maniaca em tupi, daí que vem o termo maníaco em português). Mas depois disso, pode beber o Tucupi à vontade porque seu gosto cítrico, picante e salgado é delicioso e extremamente fortificante.

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A coisa mais fácil que tem é confundir Tucupi com Tacacá e vice-versa (ou muito pelo contrário). Mas atenção, porque Tacacá é o nome dado ao delicioso prato que se come o Tucupi quando misturado ao Jambu, a erva anestésica da amazônia que faz a boca formigar. O Tacacá é sempre servido em Cuias (cabaças), o fruto da cuieira, que é bastante duro, esférico, impermeável quando maduro, nativo da região e algumas vezes usado até como modelador para cortes de cabelo.

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O peixe é a base da cozinha amazonense. Por isso são vários os pratos regionais famosos nos restaurantes do Norte. Um bem famoso em Manaus é o Tambaqui de Banda, onde o peixe é cortado longitudinalmente e servido sua metade assada na brasa.

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Tem também o Pirarucu de Casaca, que é feito com o peixe seco misturado na farinha de mandioca. O Pirarucu (do tupi: peixe vermelho, por causa do rabo) é um peixe ósseo de água doce e um dos maiores do mundo. Uma curiosidade a seu respeito é que ele respira fora d’água através de sua bexiga natatória para controle de pressão.

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A Farofa de Banana da Terra é um dos meus pratos preferidos. Feita sempre com a farinha de ovinhas, artesanal de Uarini, uma cidade do Amazonas especialista nesse ingrediente.

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Você vai ouvir falar muito sobre o X-Caboquinho por lá. Um sanduba delicioso de pão francês, queijo coalho, ovo, banana da terra frita e o mais tradicional fruto do Amazonas, o Tucumã. Uma palmeira bem alta, incrivelmente espinhosa, é que dá esse fruto bem amarelo e de caroço bem grande. É super oleoso se comido fresco, mas resseca rapidamente para ser servido em fatias finas com as comidas típicas.

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E tem também o Baião, que eu morro de achar bom! No Amazonas ele é feito de feijão de corda com arroz e coentro, assim como no Nordeste, mas a farinha é de Uarini, a das ovinhas.

O Beiju é a tapioca do amazonense (tapioca em tupi significa sedimento). Era como os índios cozinhavam a farinha da mandioca. A técnica é incrível, aproveita-se tudo. Colhe a mandioca brava e carrega no cesto chamado de aturá, descasca tudo e rala num ralador de madeira chamado baniwa. Depois deixa decantar o caldo com a goma num suporte de cumatá. A parte líquida vai ser prensada num tubo de palha trançada chamado Tipiti, e a parte sólida vai ser torrada num forno à lenha esférico e amplo, sempre misturando muito para formar o beiju (do tupi: mbe’yu). A parte líquida é bem fermentada por muitos dias para formar o Tucupi, sempre tomando cuidado para não inalar o gás cianídrico que ele exala. E na decantação do próprio caldo também se faz o polvilho.

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E por aí vai. Pratos e mais pratos típicos da região, ou adaptados de outras, sendo servidos de forma fartíssima em tablados flutuantes na beira do rio. Junto dos restaurantes tem sempre uma grande venda de produtos artesanais locais coloridíssimos e diversificados.

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Uma última etapa desse passeio riquíssimo, ainda todo no mesmo dia, é uma parada para ver a encenação de dança típica da aldeia Dessana, uma comunidade indígena no Alto Rio Negro, localizada na Reserva do Tupé.

A visita inclui apresentações de lindos rituais tribais, embaladas por vozes e instrumental típicos, dançados por representantes muito bem apessoados da etnia e de todas as idades. Além disso com direito a fotos e vídeos à vontade, pintura da cara à base de urucum e carvão, venda de artesanato indígena e uma degustação da culinária exótica para turistas como farofa de formiga, larva de coco frita e pimenta Murupi in natura, a mais ardida do país.

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Estava tudo indo muito bem, mas infelizmente na hora da saída, ocorre uma malandragem completamente desnecessária dos índios ao se recusarem a devolver o troco de nossas compras ou contribuição à aldeia. É muito intrigante o fato de que os índios não sorriem e praticamente se recusam a se comunicar com os turistas. Passei vinte minutos agindo igual a uma tonta na tentativa de dialogar com eles, pedindo inutilmente para que me devolvessem o troco do pagamento da minha pintura e recebendo “em troca” um monte de caras de paisagem, sempre desviando o olhar e não pronunciando nenhuma palavra audível. Quando eu realizei que estava deliberadamente sendo passada para trás e de uma forma totalmente coletiva e organizada, sinceramente isso fez diminuir em muito o meu respeito, admiração e compaixão por aquelas pessoas. Acabei que uni minha contribuição à de uma amiga para que completássemos o valor total da cédula sem necessitar de troco daqueles sonsos. Definitivamente não é mais um lugar que eu pretenda interagir novamente ou recomendar a alguém.

E esse foi só o primeiro dia de passeios por Manaus, muito ainda estava por vir.

Outra grande atração turística nacional é o famoso Teatro Amazonas. Uma construção centenária imponente, com uma cúpula coloridíssima única, localizada no centro da cidade. Inaugurada em 1896, em plena época áurea da extração do látex na Amazônia, pelo governador Eduardo Ribeiro, o primeiro governador negro do Brasil.

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A parte de trás do teatro ainda mantém conservados os paralelepípedos de borracha da época original. Também chamada de Ouro Negro (assim como o café, o petróleo e o açaí de hoje), a borracha reinava na região e trazia riquezas sem fim para Manaus.

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Outras atrações da época auge da borracha também se destacam no centro da cidade. Incluindo o Mercado Municipal, com bastante artesanato local e frutas regionais. Quando estiver no centro, recomendo muito o restaurante Tacacaria Amazônia, de frente à praça do Teatro . Só pedir pra chamar o Seu Brasil quando for lá e será super bem atendido.

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Aí então vamos falar de frutas. Segue outra lista gigante de opções que só no Norte você vai encontrar. Além do Tucumã, do Cupuaçu, da Graviola, da Banana da Terra, do Mari, do Abacaxi mais amarelo e doce do Brasil! …. tem principalmente o divino Açaí.

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Sabe aquele gelo roxo que a gente come no resto do país e que vendem pra gente com o nome de açaí nutella?? Então… esquece. Não tem nada a ver. O Açaí raiz não é nada doce, pois não sai do pé com o processadíssimo xarope de guaraná (ou o que é pior, às vezes até de groselha), e muito menos é praticamente feito só de gelo, como aquele do galão comprado no mercado. O açaí puro de verdade tem gosto de terra e é muuuito cremoso, parecido com abacatada (vulgo vitamina de abacate).

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No Mercado tem também muita castanha, principalmente a globalmente conhecida como Castanha do Brasil. No Amazonas nem ouse chamar a velha e saborosíssima castanha-do-pará de castanha do Pará, eles vão te corrigir na hora. Ela agora se chama Castanha do BRASIL, e o manauara não aceita mais perder essa riqueza para seu estado rival. Eles praticam os preços das castanhas por lá como os mesmos de exportação, ou seja, com exceção da época da colheita, as castanhas em Manaus são tão caras como no resto do país. A castanheira é super alta e seu fruto bastante duro podendo pesar até um quilo, portanto, não fique dando muita sopa debaixo dela não, você não vai gostar se cair um na sua cabeça.

O elemento água definitivamente domina a região. Ele está em toda parte, e apesar do clima ser muito quente, todos os dias chove. Com tanta umidade você não consegue parar de suar. É um dos poucos lugares no mundo que eu consigo tomar banho frio.

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O amazonense adora ir a praia. Sim, praia. Em Manaus eu reforcei uma coisa que já sabia que adorava muito: praia de rio. O Rio Negro não tem aquelas ondas sufocantes do mar, não tem aquele monte de areia grudando pra sempre no nosso couro cabeludo e nos fundilhos do biquíni, não tem o sal iodado que fica na boca e sempre entra pelo nariz, ardendo terrivelmente, e sua temperatura não dói na alma quando a gente entra, muito pelo contrário, o rio quente abraça o nosso corpo e dá uma sensação de relaxamento e conforto sem iguais. Também dá de 1000 em qualquer piscina cheia de química.

As praias fluviais mais famosas de Manaus são a Ponta Negra, um bairro chique que fica dentro da cidade e possui uma orla maravilhosa, e a Praia da Lua, mais afastada rio acima, onde se pode chegar de barco.

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Em Ponta Negra também se localiza um outro ícone da luxúria nacional, que é o Hotel Tropical de Manaus. Mas apesar dessa simbologia hoje se encontrar em decadência, o hotel ainda carrega uma certa evidência. O verdadeiro problema mesmo é que ele tem adquirido a fama de ser assombrado. Fiquei hospedada lá durante a conferência em que estava participando e confesso que senti bastante medo sim…

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Dentro do Tropical eles mantêm um zoológico com vários bichos. Uma coisa horrorosa, infelizmente. Ver aqueles bichos tão lindos enjaulados, bem ali tão perto do próprio habitat natural deles, deu um dó muito grande. É como estar preso dentro da própria casa. E o hotel ainda tem a coragem de pregar pela paz no mundo…

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A Amazônia sempre foi um dos destino mais desejados pelos gringos no mundo todo, e Manaus acaba sendo um de seus pontos de chegada mais importantes. Eles procuram muito pelas experiências na selva oferecida pelos Resorts de luxo e as agências de turismo. Na próxima vez que eu voltar lá com certeza irei fazer um pacote que passa três dias acampados na mata tendo aulas de sobrevivência.

Dessa vez o que deu tempo foi ir até a cidade vizinha de Presidente Figueiredo para visitar algumas dezenas de lindas cachoeiras. As mais recomendadas são a Lagoa Azul, que estava fechada por causa da época da seca do rio, a cachoeira do Santuário, que tem uma estrutura bem boa, a cachoeira de Iracema, deliciosa para nadar, etc.

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Nem ouvi sobre a velha Zona Franca por lá dessa vez, parece que as coisas estão mesmo mudando. Mas Manaus continua sendo um sonho de viagem para o mundo todo.

Barco é o transporte mais característico da população manauara. Acima do rio existem sete comunidades assistidas pela cooperativa que faz o transporte público fluvial da região a preços bem menores do que os oferecidos pelos tours aos turistas. Saindo da Marina do Davi, no final da Ponta Negra, eu peguei um barco da cooperativa e, além de uma deliciosa imersão na rotina local, eu fui fazer uma visita a um dos museus recomendadíssimos de Manaus, o Museu do Seringal.

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As histórias desse museu são extremamente chocantes! Ele resgata a realidade sanguinária sofrida pelos seringueiros no começo do século XX, pleno auge da borracha. Uma história de total escravidão, milhares de mortes, coronelismo, corrupção, desumanidade. A visita guiada dura uma hora e é excelente, o pessoal de lá é extremamente simpático e carismático. Tudo contado no museu foi retirado de um livro de Ferreira de Castro, que virou filme, chamado “A Selva” (ano 2002, com Maitê Proença como Dona Yayá, Diogo Morgado como Seu Alberto, Cláudio Marzo, João Acaiabe, Gracindo Júnior, Chico Diaz, Roberto Bonfim e grande elenco). Quem viu o filme vai adorar reconhecer as cenas no museu e vice-versa. É lindo, rico, super bem mantido e intenso. Vale demais a visita.

“… Sobrepõe-se, sempre no meu espírito, uma causa mais forte, uma razão maior, a da Humanidade.  (…) Esqueço-me de mim, mas não me esqueço da selva.” – Ferreira de Castro

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Outro museu incrível da cidade é o MUSA, o Museu da Amazônia. Localizado bem longe do centro, e da beira dos rios, o MUSA fica no Jardim Botânico, na fronteira da cidade com a floresta. E justamente por ficar bem longe das margens do rio, a densidade da selva na reserva florestal do museu é enorme. Exatamente o que eu procurava ver na Amazônia. É tudo tão lindo e fascinante que enebria.

O MUSA também oferece uma visita guiada inesquecível. Uma trilha dentro da selva com exposições muito interessantes, onde você vai experimentar a floresta de verdade, real, preservadíssima, natural, densa, alta, linda demais.

A coisa mais incrível em Manaus pra mim é subir a torre de observação do MUSA de 42 metros de altura (14 andares) para ver a floresta lá do alto, por cima das árvores.

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Lá do alto, o canto dos pássaros ecoa muito mais longe e fica fortíssimo. Ver a floresta de cima, e ao ar livre, foi pra mim a maior experiência de todas dessa viagem. A mais marcante, a mais representativa, a mais esperada, a que mais recebeu a minha emoção. Afinal, cada uma daquelas árvores grita por proteção, por consciência, pela inteligência da humanidade. Cuidarmos delas como a nós mesmos é um pleonasmo, porque delas dependemos para respirar, para permanecermos nesse mundo, para não nos auto-exterminarmos. Mas muito mais que isso, independentemente se desaparecermos do planeta ou não, elas merecem continuar por aqui, pois são muito maiores que nós, muito mais divinas ainda.

A-iko a-ha itéko! Adeus em Tupi, a nossa língua mãe, o idioma de nossos ancestrais.

 

 

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2 respostas para Manaus. Uma floresta de experiências.

  1. Impressionante o relato. Ficamos muito felizes em saber que aproveitou bastante da cidade e da região, mas, principalmente, por ter vindo. Volte quando quiser. =)

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  2. Telma Matias disse:

    Que lindo! Adorava estar aí 🙂 abraço desde Portugal

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